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Esquecimento

Queixa de memória não é obrigatoriamente Doença de Alzheimer!

Sabe-se que a memória de uma pessoa de 20 anos não é igual a de uma pessoa de 40 anos. Bem com a de uma pessoa de 60, também não é igual a de um indivíduo de 90 anos na média. A memória pode decair sim com a idade. Mas as pessoas continuam a fazer as atividades que realizavam previamente e o déficit não prejudica as tarefas do dia a dia.
 
No entanto, se a sua memória decaiu e está te prejudicando, dificultando a realização das suas atividades, é bom marcar uma consulta com um neurologista.
 
É muito comum hoje, com a disseminação da informação, que as pessoas já fiquem preocupadas com o fato de estarem esquecendo coisas simples e acharem que estão ficando doentes, muitas vezes com doença de Alzheimer.
 
Quero ressaltar aqui, que o fato de esquecermos coisas do dia a dia (onde colocamos as chaves, os óculos, etc), não significa ter alguma doença grave ou incurável.
 
Existem muitas causas para estar esquecido. Por exemplo, quando dormimos pouco, ou quando dormimos mal, ficamos desatentos e essa desatenção pode parecer perda de memória. Outras causas de esquecimento são deficiências vitamínicas, como a deficiência de vitamina B12 e de ácido fólico. O indivíduo com deficiência vitamínica importante pode aparentar ter alguma doença degenerativa como a doença de Alzheimer. Outras causas são o hipotireoidismo não tratado, outras doenças clínicas com doenças pulmonares, cardíacas, renais e outras.
 
Muito importante também é rastrear o humor e problemas de ansiedade. A depressão pode nos fazer ficar desatentos e com isso acharmos que nossa memória está ruim. O mesmo ocorre com os distúrbios de ansiedade.
 
Se você está esquecido, procure um neurologista para fazer um rastreamento das causas possíveis. A nossa clínica multidisciplinar está preparada para realizar essa avaliação.
 
Existe também uma situação chamada comprometimento cognitivo leve (CCL), onde a pessoa tem queixa de memória, está efetivamente esquecida, de modo que o déficit é comprovado por uma avaliação detalhada de memória, mas não deixa de fazer nenhuma das suas atividades diárias. Nessa situação, o neurologista irá acompanhar o quadro e indicar a conduta apropriada.
 
O médico que te atender vai ouvir a sua história, te examinar e talvez, fazer algumas perguntas para verificar a memória. Tenha em mente que o diagnóstico da causa do esquecimento não deve sair na primeira consulta. Deve ser feita uma investigação detalhada. Se necessário, o médico solicitará exames complementares.

 

Demência é uma situação em o indivíduo apresenta declínio comprovado de alguma função cognitiva (memória, atenção, orientação, linguagem, etc), não apenas queixa de memória. Esse déficit o prejudica funcionalmente na sua vida diária, como por exemplo, no trabalho, na gestão do lar, na vida pessoal. O neurologista diagnostica Demência com a ajuda de alguns testes que avaliam a cognição e o raciocínio, além de verificar o impacto funcional dessa perda.
A partir do momento em que constatado a presença de demência, o neurologista vai investigar as causas da demência. Existem diversas causas de demência. Até uma doença renal ou uma deficiência vitamínica pode causar demência. Existem causas clínicas, degenerativas, infecciosas, estruturais (como hematomas por exemplo) e muitas outras. Por isso é importante fazermos uma avaliação detalhada, excluindo as devidas doenças para chegar a um diagnóstico correto. É um processo diagnóstico que envolve uma expertise específica. Existe um consenso brasileiro para investigação de quadros demenciais e de comprometimento cognitivo leve que seguimos, onde, além da avaliação clínica, são solicitados alguns exames complementares.

A doença de Alzheimer é um tipo de demência lentamente progressiva que é mais comum em pessoas após os 75 anos de idade. É o tipo de demência mais comum encontrada. Inicia-se com perda de memória para fatos recentes.
É muito comum que as pessoas em geral julguem estar com doença de Alzheimer só estarem esquecidas. Conforme descrito acima, o diagnóstico de Doença de Alzheimer não é imediato e várias doenças devem ser excluídas.

Infelizmente, ainda não existe um único exame que o médico peça, que lhe dará a informação de ter ou não a Doença de Alzheimer. O diagnóstico é realizado baseado num conjunto de informações. Essas informações são colhidas desde o momento em que você entra no consultório, acompanhado ou não. São importantes a história do paciente, antecedentes pessoais e familiares, medicamentos que utiliza e já utilizou, a queixa principal atual, exames clínico e neurológico, informações de acompanhante.
O diagnóstico de doença de Alzheimer é realizado através dos procedimentos para diagnosticar a causa da demência, como é descrito acima.

Sim. Hoje não há um tratamento curativo. No entanto, muitas doenças clínicas também não tem cura, como por exemplo, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, diabetes, etc. Essas doenças são tratadas com medicações que ajudam o indivíduo a conviver com a doença e a melhorar sua qualidade de vida. Para doença de Alzheimer, existe tratamento medicamentoso que diminui a velocidade de progressão da doença e pode ajudar na atenção e memória. Parece pouco, mas não é. É claro que a cura seria ideal. Há muitos estudos sendo realizados pelo mundo todo em busca de uma medicação ou procedimento para a cura do Alzheimer. Há também o tratamento não medicamentoso que consiste em reabilitação cognitiva e pode ser indicado em casos específicos.O diagnóstico de doença de Alzheimer é realizado através dos procedimentos para diagnosticar a causa da demência, como é descrito acima.

Infelizmente, ainda não existe nenhum remédio ou procedimento ou produto natural milagroso que previna a Doença de Alzheimer. Sabe-se que o controle dos fatores de risco vascular (pressão alta, diabetes, colesterol alto, triglicerídeos alto, sedentarismo por exemplo), além da estimulação cognitiva durante a vida contribuem para atrasar a manifestações da doença.

A doença com corpos de Lewy é uma causa de demência bastante comum, mas pouco diagnosticada. É a causa de demência mais comum após doença de Alzheimer. Muitas vezes é confundida com esta última. No entanto, podem haver algumas características bem diferentes que aparecem sozinhas ou em conjunto.
O paciente pode apresentar uma piora no seu jeito de andar. Pés arrastando no chão, passos pequenos, curvado para frente, pouco ou nenhum movimento associado dos braços. Além, disso pode aparecer um quadro de piora cognitiva e alterações atencionais, fazendo com que a pessoa mostre oscilações de atenção com cochilos frequentes. Podem ocorrer também, com certa frequência, alucinações visuais principalmente perto da hora de dormir e acordar.
É importante que o neurologista que avalia o paciente com demência saiba da existência desse diagnóstico. O procedimento diagnóstico segue os mesmos passos da investigação de quadros de demência descritos acima.

Quando pensamos em traumatismo crânio encefálico, logo imaginamos alguém batendo a cabeça. Sim, pode ocorrer dessa forma, e é na verdade a forma mais frequente de acontecer. No entanto, pode ocorrer um impacto na cabeça sem haver efetivamente contato da cabeça com alguma superfície. Por exemplo, se ocorre um acidente de automóvel em que a cabeça do indivíduo é chacoalhada ou uma freada brusca que promove movimentos de aceleração e desaceleração, o cérebro pode ir para frente e para trás e bater nas paredes do crânio (osso que envolve o cérebro). Esses movimentos podem sim causar danos cerebrais sem haver impacto direto na cabeça.

Dependendo do tipo e mecanismo do trauma, da gravidade e localização deste, podem ocorrer consequências na memória, no raciocínio, problemas motores e de comportamento. Não é infrequente pessoas que sofreram traumatismo craniano se queixarem de irritabilidade, sintomas depressivos e dificuldade de concentração.

 

Concussão é uma situação em que, após um impacto na cabeça ou em alguma região do corpo, repercutindo na cabeça, ocorrem sintomas como tontura, desequilíbrio, visão turva, desatenção, dor de cabeça e outros. Pode ocorrer em qualquer cenário, em qualquer idade e os sintomas em geral melhoram em cerca de 2 semanas.
Os pacientes que sofreram concussão devem ser avaliados e acompanhados com cuidado por um neurologista experiente. O tempo de recuperação dos sintomas da concussão podem se estender e requerer uma avaliação mais detalhada, além de acompanhamento mais longo.
A pessoa que sofreu uma concussão está susceptível a outra concussão pelo período de tempo em que o cérebro ainda não se recuperou. Se ocorrer, esse segundo impacto pode gerar consequências mais graves mesmo sendo uma batida aparentemente inofensiva. Por isso, mesmo sofrendo um traumatismo leve, se você apresentar algum sintoma novo ou diferente, vá até um neurologista para ser avaliado cuidadosamente.

Dores de cabeça são o “feijão com arroz” do neurologista. Isto significa que é muito frequente aparecerem pessoas se queixando de dor de cabeça no consultório de um neurologista.
As dores de cabeça podem ser de muitos tipos. Existe uma classificação de mais de 30 tipos, onde são levados em conta os seguintes aspectos: localização, frequência, intensidade, duração de crises, melhora total ou parcial com medicamentos de balcão, sintomas associados a dor como náuseas, vômitos, sintomas visuais (aura visual), sintomas gástrico-intestinais, alterações do tamanho da pupila do lado da dor, lacrimejamento, tontura, associação com período menstrual, relação com alimentos e outros.
O neurologista deve investigar esses fatores para poder classificar a dor num dos tipos existentes e, assim, poder tratar corretamente o paciente. Se necessário o médico pedirá exames complementares para investigação da dor. É importante também saber como está a saúde geral do indivíduo, já que algumas doenças clínicas podem influenciar na presença ou não e na intensidade da dor.

É muito frequente o aparecimento de pessoas se queixando de tremor no consultório do neurologista. Muitas pessoas vão ao consultório pensando que estão com doença de Parkinson ou com medo de serem diagnosticados com essa doença.
O estudo dos tremores na neurologia é extenso. Existe mais de 50 causas de tremor que incluem doenças clínicas, medicações, doenças degenerativas, doenças genéticas, etc. O tremor precisa ser classificado em um tipo quanto a frequência dos movimentos, duração, local onde aparece, posturas em que se apresenta, início, exacerbações, etc. Depois de classificado, o neurologista talvez peça algum exame complementar para confirmar ou excluir doenças.
É sempre importante consultar um neurologista para a verificação do tipo de tremor e, então, sua causa a fim de obter o tratamento correto.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem todo tremor é Doença de Parkinson e nem todos os que tem doença de Parkinson, apresentam tremor.
O diagnóstico de doença de Parkinson é clínico e deve ser feito por um neurologista experiente. Podem ocorrer sintomas como instabilidade postural, rigidez, lentidão e tremor característico. Geralmente, o médico que avalia o paciente com doença de Parkinson pede alguns exames complementares para descartar algumas doenças que podem se parecer com Parkinson. É também importante o questionamento sobre as medicações utilizadas pelo paciente nos meses que antecedem o início dos sintomas e medicações atuais ou de uso contínuo.
É comum o diagnóstico de Parkinson não ser dado na primeira consulta e o médico precisar ver o paciente algumas vezes ao longo de um período de tempo para poder dar o diagnóstico de certeza.
Atualmente, há diversos tratamentos para doença de Parkinson medicamentosos ou não. Pesquisas estão sendo constantemente realizadas com o objetivo de procurar novas drogas e aperfeiçoar as existentes. As medicações ajudam a melhorar os sintomas da doença e a qualidade de vida do paciente.

O Terapeuta Ocupacional trabalha com as atividades do dia a dia do paciente, ou seja, como ele(a) fará as atividades rotineiras com as dificuldades que ele(a) apresenta no momento. A atuação da TO vai além das tarefas de auto cuidado (vestir, tomar banho, ir ao banheiro, andar), mas também relacionadas aos estudos, trabalho (retorno ao trabalho após a lesão), lazer (cinema, restaurante, viagem), cuidados da casa (lavar louça, limpar a casa, lavar e passar roupa, cozinhar) e atividades na comunidade (ir ao banco, supermercado, feira, farmácia), em outras palavras, visa resgatar o papel do indivíduo dentro da sociedade. O tratamento é baseado em abordagens de reabilitação motora (ex: exercícios para o braço, treino da atividades rotineiras), cognitiva, prescrição de equipamento (ex: cadeira de rodas) e/ou adequação do ambiente (organizar a mobília da casa para dar melhor acesso dentro do ambiente do paciente e evitar quedas) , órteses para membros superiores, orientações e treino para as atividades rotineiras, de acordo com a demanda e interesse de cada um.

Juliana Conti (Terapeuta Ocupacional)

O fonoaudiólogo é o profissional que reabilita duas funções muito importantes: a deglutição (capacidade de engolir) e a comunicação. Essas funções podem estar alteradas devido a uma doença neurológica (Doença de Parkinson, Acidente vascular recerebral – AVC, traumatismo crânio-encefálico -TCE, Doença de Alzheimer, entre outras).
No caso da disfagia (dificuldade de engolir), a pessoa pode apresentar engasgos, tosse, sensação de alimento parado na garganta, escape de saliva e alimento da boca, acarretando sérias consequências como pneumonia, emagrecimento, desidratação e desnutrição, além do desconforto gerado pelos próprios sintomas.
O fonoaudiólogo fará intervenções como a modificação das consistências alimentares e exercícios direcionados para fortalecimento dos músculos envolvidos na deglutição, bem como o treinamento dos familiares e cuidadores para que as refeições sejam feitas de modo seguro.
Em relação à comunicação, existem as afasias e os distúrbios linguísticos cognitivos, que são alterações na capacidade de a pessoa entender o que é falado, de se expressar ou outras dificuldades de comunicação, prejudicando seu convívio em sociedade.
Nestes casos, o fonoaudiólogo fará uma avaliação detalhada de toda a comunicação da pessoa. A linguagem será avaliada nos seus vários aspectos: discurso (o que a pessoa fala), leitura, escrita, repetição, compreensão em diversas situações e definirá assim, qual é o problema(s) ou dificuldade(s) exata que o indivíduo apresenta. O objetivo dessa avaliação é estabelecer juntamente com a família os melhores meios de comunicação, que muitas vezes não envolvem apenas a fala, mas a escrita, os gestos, cadernos de apoio visual entre outros, facilitando assim a vida do paciente e de quem está a sua volta. Além disso, a fonoaudióloga (o), quando indicado, fará um planejamento da reabilitação da linguagem, que são exercícios de diversos tipos para que o paciente melhore a sua comunicação e se sinta melhor com isso. O apoio da família e do cuidador (a) para a continuidade deste treino em domicílio é um dos pontos principais para o sucesso da reabilitação.

Queila Furlanetto (fonoaudióloga)

Você sabia que, quando o cuidador tem vínculos emocionais com a pessoa que cuida, pode ficar muito estressado? Existem vários estudos sobre estresse do cuidador e hoje é meta em muitos serviços o cuidado do cuidador também. Você que cuida de um ente querido, de uma pessoa que ama, deve cuidar da sua saúde física e mental. É claro que é fácil falar. Mas existem algumas dicas para tornar isso mais fácil e viável.